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Feliz cumpleaños, Alfredo

Bàbá Alfredo y yo en un seminario en Buenos Aires

El lunes 17 entra en un nuevo ciclo de vida bàbá Alfredo Echegaray, hijo de Ògún, el Herrero que marcha adelante.

Desde Montevideo le deseamos todo lo mejor y un renovado compromiso con la fe y el trabajo que ha asumido como presidente de la Federación Metropolitana de las Religiones Afroamerindias en Buenos Aires.

Alfredo es un gran trabajador, pero ademáss es un hombre de bien a quien admiro y estimo. ¡Felicidades, bàbá, junto a tu hermosa familia e hijos espirituales!

Carta de Repúdio á Intolerância Religiosa da Prefeitura Municipal de São Paulo




Torna-se público o seguinte Manifesto:


Conforme diz a constituição Brasileira, (Art. XVIII) “Todo ser humano tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; esse direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, em público ou em particular”.

Na contra mão da luta por políticas que garantam o respeito à diversidade, a Prefeitura de São Paulo implementa uma ação claramente discriminatória e de intolerância religiosa. O exemplo mais gritante é de tentar expulsar a Associação Cultural Religiosa e Beneficente “Comunidade de Oyá e Ogum - Ilê Alaketú Axé Egbé Oyá Ogun, do Planalto Paulista”, onde está localizada no mesmo endereço, há mais de 25 anos.

A Associação desenvolve atividades voltadas a assistência a pessoas carentes e ao culto religioso. Durante esse tempo a Comunidade reforçou a crença na busca pela radicalização da democracia e pela universalização o dos direitos humanos, econômicos, sociais e culturais, e principalmente pela erradicação do racismo e da intolerância religiosa.

A comunidade convive em Paz no mesmo bairro com diversos templos de outras religiões, como a Igreja Missionária, Igreja Metodista, Paróquia Nossa Senhora de Lourdes e Igreja Ortodoxa Presbiteriana Santa Maria. O direito á liberdade religiosa é um princípio da igualdade. Por essa razão nós dos movimentos Negros, Mulheres e seguidos por vários outros movimentos da cidade e estado de São Paulo, repudiamos a ação da prefeitura que expressa a mais absurda demonstração de intolerância religiosa contra este templo de “Matriz Africana” e exigimos o direito à permanência da Associação em seu atual endereço. Declaramos o nosso total apoio e solidariedade a “Comunidade de Oyá e Ogum”.


SÃO PAULO,
JANEIRO DE 2010.

Assinam esta Carta:


- Sociedade Comunitária “Fala Negão/Fala Mulher” da ZL/SP - MNU - Movimento Negro Unificado - CONEN - Coordenação Estadual de Entidades Negras - CEABRA - Coletivo de Empresários Afro-brasiliros - SOWETO - Organização Negra. - MOCUTI - Movimento Cultural Cidade Tiradentes - Coordenador Municipal da UNEGRO de Guarulhos - Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial do Sindicato dos Jornalistas (COJIRA-SP) - SOS Racismo – Assembléia Legislativa de São Paulo - Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa de São Paulo – Presidente Deputado Estadual José Cândido - Instituto Terceiro Corpo - Fórum das Religiões Afro-brasileiras de São Paulo – FOESP - Babalorixá Kaobakessy – Edson Ribeiro Mandarino - Tata Matãmoridê – Eduardo Brasil - Portal do Candomblé - SP - Antonia dos Santos Garcia- Socióloga, Doutora em Planejamento Urbano e Regional-IPPUR/UFRJ - ASETT-Associação Ecumenica dos Teólogos do Terceiro Mundo - Camila Furch – SOF e Marcha Mundial das Mulheres - Camila Cardoso Diniz – aluna da UNIFESP – curso de Filosofia - CENARAB/SP - Coletivo Dandara-Grupo Feminista da Faculdade de Direito da USP - Isadora Brandão – Coletivo Dandara - Conselho Nacional de Iyálorisás, Egbomys e Ekedys Negras/SP - Doné Kika de Bessen - Dora Martins dos Santos - Egbomy Silvia de Oyá - Espaço Lilás/SP - Flavia Pereira – Casa da Mulher Lilith /SP - Luiza E. Tomita – Secretária Executiva e Tesoureira da ASETT - Marcha Mundial das Mulheres/SP - Maria Fernanda Marcelino – UNIFESP e MMM - Egbomy Marisabel de Xangô – Presidente Coletivo das Mulheres de Axé da Comunidade de Oyá e Ogun e MMM - Nalú Faria – MMM e REMTE - NATA-Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial do Sindicato dos Jornalistas (Cojira/SP) - Neuza Tito – REF Brasil - Observatório da Mulher - Oriashé- Sociedade Brasileira de Cultura e Arte Negra - Rachel Moreno – Observatório da MulherRenata Faleiros Moreno – REMTE e MMM - Rosangela Rigo-Secretária Estadual de Mulheres do PT - SOF – Sempreviva Organização Feminista - Sonia Coelho – CMS - Vera Lúcia Santana Araújo – Brasília, Advogada - UARAB – União dos Adeptos das Religiões Afro-Brasileiras - Vodunci Zindzi de Oyá - Ilê Araxá de Olocum, Reino de Xapanã e Oxum - Anna Paula Silva Cesário - SAPATÀ –Rede Nacional da Promoção e Controle da Saúde das Lésbicas Negras - Coletivo Nacional de Lésbicas Negras Feministas Autônomas- Candaces Br - Fernanda Estima –jornalista, Ciranda Independente da Comunicação e Rede Paulista pela Democratização da Comunicação e Rede Paulista pela Democratização da Comunicação - Jarbas Ricardo Almeida Cunha – CONLUTAS/ MG - Letícia Yumi Shimoda – MMM - Elaine da silva Campos – WENDO/SP - Kiambote – MONABANTU/MG - Makota Kisandembu Kiamaza – Coordenação Executiva e Comunicação MONABANTUMG - Maria Giuseppina Curione – MMM - Iyálorisá Clau de Sapatá (Claudete Costa) do Ylê Araxá de Olocum, Reino de Xapanã e Oxum/RS (Nação Jejé Ijexá/Banto - Camila Cristal – UARAB - Adriana Luza da Cunha - Procuradora Mãe Suzana Andrade – Uruguay - Grupo ATABAQUE – Uruguay - Federación IFÁ Del Uruguay - Casa da Cultura da Mulher Negra – Santos /SP - Juliana Borges – Diretora de Movimentos Sociais da UEE/SP-Coordenadora Municipal da Juventude Negra do PT - DCE – Reconstrução Gestão 2008 – PUCCAMP - José Sotero de Barros - Egbomy Oyassidinann -Comunidade Oyá e Ogun - Paulo José Manzano – Comunidade de Oyá e Ogun - Ekedy Kiyágonarê – Comunidade de Oyá e Ogun - Maria Aparecida Avelino de Souza- Comunidade de Oyá e Ogun - Silvana Venâncio – Comunidade de Oyá e Ogun - Ogan Carlos de Oxalá (Carlos Alberto dos Santos Aguado)- Comunidade de Oyá e Ogun - Terezinha Venâncio de Souza – comunidade de Oyá e Ogun - Terezinha Ribeiro Venâncio – Comunidade de Oyá e ogun - Rede Mulheres Negras - PR - Igor Moreira Aguado – Comunidade Oyá e ogun - Afarodé (Ricardo Godoy Pedroso) – Comunidade de Oyá e Ogun - Kelly Cristiane d. Pedroso- Comunidade de Oyá e Ogun - Carmem Lydia M. Godoy – Comunidade de Oyá e ogun - IPJ - Instituto Paulista de Juventude - Marinalva Lourenço – Marcha Mundial das Mulheres/PE - Maria da Conceição Franco - Márcia Valéria Pereira-MMM - Ana Benedita Franco da Costa – MMM - Egbomy Ricardo de Oxun - Comunidade de Oyá e Ogun - Martha de Yewá - Comunidade de Oyá e Ogun - Maria Luiza Moreira - Comunidade de Oyá e Ogun - Egbomy Eduardo de Oxalá - Comunidade de Oyá e de Ogun - Ègbé ti Sàngó Bàáyin – Montevideo, UruguayEliminar formato de la  selección

Feliz cumpleaños, hermanos


A la ìyá Sonia de Obà Olóòkun Elufandéyi de Montevideo, Uruguay y al bàbá Armando ti Yemoja Bomí Domi de Buenos Aires, Argentina mis mejores deseos de paz, prosperidad y salud para este nuevo año de vida que comenzaron.
Que siempre puedan hacer de su labor religiosa un aprendizaje incesante.

Oyá wa njó! - ¡Nuestra Oyá está danzando...!


Esta noche en la ciudad de La Plata, el Ilé Oyáwanjó abrirá públicamente sus puertas para ofrecer al público rituales y servicios por el lado de orisha, ya que por el lado de kimbandas hace años que lo viene haciendo. Un espacio renovado a tal efecto del que hemos visto fotos de su preparación será el marco de los festejos que comienzan con el levantamiento de borí de dos hijas de bàbá Oyáwanjó, ambas llamadas Eugenia. A ellas y a la casa, en la persona del querido babalorisha, deseamos la mayor de las felicidades. Tenemos la certeza que así será pues creemos profundamente en las condiciones personales de Marcelo para llevar adelante su responsabilidad. Sin duda, no es tarea fácil, pero aceptar ese desafío con convicciones firmes ya es un excelente comienzo. Que sea entonces con todo el àse de los orisha para que su culto crezca y se renueve eternamente, permaneciendo siempre igual.

Oyá balè e láárí ó, àkàrà dé Oyá ko òrò!

Ka sún re o! Que descanse en paz...


Alberto Santiago Pavés, babalorisha de amplia actuación en la cuenca del Río de la Plata y más conocido como el pai Mara, se despidió esta mañana del escenario del mundo y especialmente del mundo del batuque riograndense al que accediera a través de su iniciador pai Joao (Correia Lima) de Bará -ìgbà e- y que siempre consideró su escenario. Pionero entre otros en Argentina para esta modalidad religiosa, su particular visión del batuque le permitió formar una escuela -que se autocalifica como "jeje" aunque en realidad sea una versión personal del modelo Oyo- donde lo más impactante consiste en la presentación visual de los festejos públicos como si se tratase de una especie de varieté, con guantes de seda, capas bordadas y plumas incluidas, mise-en-scène bastante ajena a la simple naturalidad del culto de batuque.

Retirado del ambiente desde muchos años atrás, pai Mara fue poco afecto a vincularse con sus pares religiosos y sólo comparecía en ceremonias específicas, como liberaciones u homenajes de ese estilo en casas de hijos que hasta pueden verse por You Tube, ya que cada aparición suya era un despliegue escénico y sus cientos de devotos se desvivían por filmar sus desplazamientos coreográficos, sus ropajes versallescos y sus gestos circunspectos mezclados con mohínes de prima donna.

El pai Mara no soportó la edad -la que se supone que añade sabiduría, cuando hay criterio- la enfermedad que lo tenía prácticamente postrado de dolor, ni la soledad que había buscado con tanto ahínco por décadas y luego le jugó en contra. Tuvo cientos, o tal vez un millar de hijos; fue un dios para muchos y omiso para otros a quienes se negó a despedir ritualmente cuando la hora de la muerte les llegara de improviso y hasta en plena juventud...

Hoy, él mismo decidió salir por la puerta trasera bajo la responsabilidad de su propia mano, quizá esperando que el telón bajase para sí misericordiosa y definitivamente.

Ka sún re o! Que descanse en paz...

Pastora de igreja tenta atear fogo em umbandista no Rio

Coletivo de Entidades Negras
Posted In: , . By Y.Valentim

Uma pastora da Assembléia de Deus agrediu uma umbandista em Pilares, zona norte do Rio de Janeiro. Nádia Pereira usou um banco de madeira para atacar Cirene Dark, e ainda tentou atear fogo na sua vítima. O motivo do grosseiro atentado seria impedir uma homenagem a uma entidade da umbanda.
O caso foi registrado na 24º DP (Piedade) como cárcere privado, lesão corporal ou tentativa de homicídio, tentativa de incêndio e intolerância religiosa. Cirene será ouvida novamente.
Fonte: JB Online

Eshu en el Museo Blanes




Fotografías del Dr. Alejandro Frigerio


Ayer fue inaugurada la muestra “dueños de la Encrucijada” en Montevideo, más precisamente en la hermosa casona que administra Gabriel Peluffo Linari para el Estado pero con escasa atención y medios del Estado. Es decir: al Estado le interesa que haya un flujo cultural pero no tanto como para dotar a los gestores de cultura de medios para hacerlo. Uruguay conserva sus rasgos más típicos de poco pan y mucho circo.


Pero decía que Eshu -ese niño terrible que a veces es confundido con el demonio tan exquisitamente descrito por las iglesias cristianas, pero que nada tiene que ver con ese personaje pues no pretende la aniquilación del hombre sino su realización- sentó sus reales en ese lugar tan magnífico con parque incluido que tenemos los montevideanos a escasos minutos del centro.

El responsable de esta muestra es Juan Batalla. Artista plástico, editor, fundador de Arte Brujo con Dany Barreto, gran amigo y connaisseur impactado por esta divinidad africana transmutada en espíritu de malandraje y marginalia en estas tierras americanas. Un espíritu irreverente a veces, cuya misión es obligar a tomar decisiones, partido o rutas hacia la felicidad que no vacila en travestirse –por algo es uno pero miles- en la concreción de su tarea. Así, eshu y pombogira –su ser femenino, su mitad indispensable para la vida humana- plantean disyuntivas capaces de hacer tambalear al más fuerte y para ello se sirven de una estética determinada en el ámbito del Río de la Plata que el curador ha captado tan bien tanto en el libro “Dueños de la Encrucijada” como en esta muestra que ha quedado abierta. Lejos del abigarrado muestrario del libro donde las imágenes se superponen y redondean los textos, la muestra ha elegido algunas obras de entre tantas e inclusive algunas que no aparecen en el libro que motiva la exposición.

Impacta ya antes de entrar propiamente a la sala mayor la instalación minimalista de nuestra compatriota Ángela López Ruiz: un círculo de pétalos de rosa que cubre una capa de azúcar como homenaje a pombogira, el eshu mujer. Es que indudablemente en esa simple figura espacial plana detenida en la tierra subyace el misterio de ese femenino insondable que invita a sumergirse a través de ella hacia un plano debajo de lo visible donde espera la transgresora, riendo a carcajadas de la pacatería judeocristiana.

En el acceso a la sala principal nos recibe una de las espléndidas fotografías de Guillermo Srodek Hart que inmortaliza un altar –un espléndido altar, por cierto, al que tuve el privilegio de rendir homenaje en Floresta, Buenos Aires, y que pertenece a la familia de eshu del bàbá Alfredo de Ògún- sustrayéndolo del ámbito natural, el religioso, para convertirlo en un objeto de arte donde cada detalle acerca al espectador no enterado a la virtualidad de la magia afro brasileña.

Entre todas las preciosidades de esta muestra singular quisiera destacar la instalación de Dany Barreto, que me impactó simplemente. Quizá yo la hubiese puesto enfrentada a la puerta de acceso a esa sala larga y angosta: ubicada allí obligaría –como eshu- a tomar la crucial decisión de rodearla para poder entrar a ver el resto, ya sea por la derecha o por la izquierda, pero propondría inevitablemente la necesidad de elección. Rodeada de banderillas rojas de papel cortado –tan comunes en los techos de los terreiros brasileños, el adorno simple y económico de los artistas “pobres” que han creado la “riqueza” de nuestras variantes religiosas, se encuentra “la Murciélaga” negra nigérrima echada sobre un blanco lecho de pipocas… Barreto ha captado a la perfección la tricromía del culto particular de eshu, la kimbanda, y la ha aplicado magistralmente a su obra en exposición. Recurrente en su obra, la Murciélaga es una perra del artista que, como eshu, siendo una se multiplica a través de sus creaciones siendo diferente cada vez aunque en esencia sea la misma. Cancerbero monocéfala, custodia la entrada a ese mundo que impacta a través del color, la forma y la invasión del espacio, y por cierto dentro de la más absoluta tradición iniciática en la que el perro es uno de los más conocidos animales psicopompos.

En síntesis, por un lapso que durará hasta la primera quincena de junio, eshu y pombogira se han instalado en el Museo Blanes por medio de aquello que sugieren a aquellos artistas que dotados de visión desprejuiciada, han podido encontrarles en una obra desenfadada, riquísima y subversiva. Tal vez, un puente abierto para una sociedad plagada de temores ante lo desconocido y que no osa hacer sus elecciones.



Voces de resistencia desde el NE brasileño

Foto perteneciente al blog de Alexandre L'Omi l'Odò

A consciência é o caminho dos iniciados para o Orixá...

Reintegrar a terra perdida, tomada por homens que dizimaram civilizações inteiras.
Reintegrar a força perdida nos tempos de um Brasil perseguidor e austero.
Reintegrar a verdade de nossa História, oficializando nossos guerreiros negados.
Desintegrar a intolerância religiosa sofrida por nós iniciados aos Orixás e as divindades da Jurema Sagrada.
O caminho da consciência negra é o caminho dado pelo Orixá e pela Jurema Sagrada aos que por Eles forem chamados.
Ser de Terreiro é ser protagonista da luta por um país mais digno e coeso com sua verdadeira identidade e história. Ser de Terreiro é ter a auto-estima em ser você mesmo, ser a força que rege os mundos, estar no iwá-pélé (no caminho do equilíbrio e da dignidade)

Vamos saudar com festa a possibilidade de estarmos em consciência com o todo, com a natureza, com os Orixás e com a Jurema Sagrada.

Salve Malunguinho!
Alexandre L'Omi L'Odò.

Não morra sem escutar o Coco sagrado do Mestre Galo Preto!!!
http://www.myspace.com/MESTREGALOPRETO

Navigare necesse, vivere non necesse


A una semana de abrir las puertas de la nueva casa-comunidad de ngó y con muy poco tiempo para comunicarme por este medio, ha llegado el momento de agradecer a quienes de un modo u otro hicieron posible este evento.


Primero, a mis orisha, compadres y caboclos que nunca dejaron de estimular y apoyar este sueño. A mi familia carnal, que ha soportado mis ausencias por treinta y cinco largos años.


A mis primeros hijos Ema y Elbio, que decidieron que su vida carecía de sentido sin la seguridad eterna de esta maravillosa religión. A todos los que fueron un día parte de esta familia, porque dejaron algo de sí y llevaron alguna cosa de aquí. A la ìyá kékéré de la casa, Omolújemo, por su constante sostén y por su amistad. A los hijos espirituales que hoy son el capital humano de esta comunidad, que se pusieron a trabajar casi sin descanso para llegar a buen término.


A Manert Òsànlábunmi y a Walter Baladán que se pusieron la obra al hombro.


A los amigos que pusieron el hombro, como Williams; a Natalia, que pintó la leyenda de la arcada, a Fernando el herrero que saca tiempo del tiempo para terminar a tiempo. A Lorena, que recorrió a amistades y a amistades de amistades por los pasillos de la Intendencia para lograr un pronto despacho. A la familia Benítez con el patriarca Hugo a la cabeza, hacedor de mesadas de lujo y a José, Alejandro y Daniel que nos dieron muchas horas de trabajo honorario. A “Pato”, al "Bala", a Fabián, a Sebastián y a José Wilson Feijó, que además de su tarea específica ayudó a hacer otras con buena onda y desinterés. A Fernando Nocetti, que puso un día de descanso el ómnibus a trabajar para ngó; a Santiago, que puso el camión cada vez que se necesitó traer materiales, muebles, chapas de fibrocemento. A Petrona ngótóbí, que cocinó para los que trabajaban y nunca sentía cansancio; a Flavio ngódarémi que logró ponerse las pilas de a ratos para cablear la energía eléctrica.; a César de Òsànlá, que trajo impulso y aire nuevo cuando los caballos ya estaban cansados; a Julio Èsùlébun. Mis respetos, mi gratitud, mi bendición.


Tampoco puedo obviar la invaluable ayuda de la escribana Raquel Stratta de la Dirección Notarial de la IMM, que logró sacar en cuatro meses un trámite que, dada la burocracia estatal de mi país, lleva al menos cuatro años… A Darwin Álvarez, instrumento inconsciente de las necesidades de orisha, que nos entregó las llaves del predio en confianza para comenzar a preparar los ashes del fundamento sin haber efectivizado la compra formalmente.


A los amigos intelectuales de Argentina, comenzando por el Dr. Alejandro Frigerio, que escribiera cartas a las autoridades señalando la importancia como patrimonio intangible de esta comunidad religiosa y que además logró interesar a colegas del fuste de Ari Pedro Oro, Reginaldo Prandi, Sérgio y Mundicarmo Ferretti, Lísias Negrão, Patrícia Birman, José Flávio Pessoa de Barros, Kali Argyriadis, Myriam Rabelo, Raúl Lody y otros que a su vez llenaron de e-mails el correo del Intendente Municipal de Montevideo Ricardo Ehrlich.


A los artistas plásticos Juan Batalla y Dany Barreto de Argentina, que hicieron una campaña similar e integraron a gente de la cultura y la plástica de su patria y de diversas partes del mundo reconociendo la familiaridad que las religiones –y éstas particularmente- tienen con las artes. A los artistas y sacerdotes compatriotas Ángela López Ruiz y Guillermo Zabaleta, que también encendieron la mecha entre sus amigos.


A la Federación Metropolitana de Religiones Afro Brasileñas de Buenos Aires, liderada por el bàbá Alfredo Echegaray de Ògún Oníré, que hizo lo propio con el apoyo de sus ciento y pico de templos asociados en Argentina y Paraguay.


Al estímulo moral de ìyá Peggie Poggi y su marido Rodolfo –ìgbà e- que me daban ánimo cuando todo parecía detenerse.


A los amigos religiosos de Brasil que hacían rezos y agrados a sus orisha, nkisi y vodun para que se resolviera pronto este tema nuestro porque "una casa más añade, no resta"… Vanderlei, Beto, Muriçoca, Duda, tia Lete, Caio, Arlette y Norminha Arruda.


A todos, y a los tantos que no nombro pero tengo en mi mente y en mi corazón, infinitas gracias. Que las bendiciones de orisha se multipliquen en proporción geométrica.


El próximo sábado formaremos la rueda de batuque para festejar a orisha y abrazaremos uno por uno a quienes puedan acompañar el fin de este proceso.También danzaremos por quienes no están y han sido mentores, como la familia Omi O Bàbá-Odùgbèmi de Buenos Aires –por razones obvias, de duelo- y la familia del Ilé Òsun-npònnò de bàbá Gustavo e ìyá Isabel que están de obligaciones ese mismo día.


Para nuestra comunidad se abre otra etapa que sin duda será tan enriquecedora como las precedentes. Porque navegar es necesario: aún más que vivir sin hacerlo.




Por eso es que corro envuelto en fuego
con una semilla en la mano, que debo entregar:
Tu agua clara, Madre, que de fuente se hará mares...

Gloria a Òsun - mi reina, mi madre, mi diosa, mi dueña, mi aliento -
que allí donde estés
me reconoces como hijo de Tu vientre feraz
y me cubres de miel para que grite por la Tierra Tu nombre.

Testemunha

Eu pedi força... O orixá me deu dificuldades para me fazer forte.
Eu pedi sabedoria... O orixá me deu problemas para resolver e aprender deles.
Eu pedi prosperidade... O orixá me deu um cérebro e músculos para trabalhar.
Eu pedi coragem... O orixá me deu perigos para superar.
Eu pedi amor... O orixá me deu pessoas com problemas para ajudar.
Eu pedi favores... O orixá me deu oportunidades.
Eu não recebi nada do que pedi, mas recebi tudo de que precisava. O meu orixá é maravilhoso, por isto creio num dia melhor a cada dia!

Veja só! Resistencia bahiana al "pare de sufrir"







Casa do Rei Oxalá
Liderança: Leodegario Mendes de Brito
Nação: Espiritual
Ano de fundação: 1939
Regente: Oxalá
Rua Cosme de Farias , 204
Cosme de Farias.
CEP: 40253-040. Tel: 3389-3323.

Reação à intolerância religiosa: diga não ao preconceito


III Caminhada pela Vida e Liberdade Religiosa reúne cinco mil pessoas emSalvador contra a intolerância e o preconceito.
Jamile Menezes Santos, Jornalista(Bahia)
jamyllem@hotmail.com
Foto: Wilson MilitaoEm meio a cerca de cinco mil religiosos do Candomblé dentre pais, mães, filhos e filhas de santo, duas senhoras começam a distribuir panfletos com mensagens bíblicas. Até então tudo respeitoso, até quando a distribuição começa a ganhar palavras de ordem: “Conheçam Jesus!”, ou “A religião de vocês é do Diabo, nosso Deus é bom! Confusão formada e logo apartada por algumas pessoas. Não bastando a manifestação discriminatória explícita, logo depois a agressão: da janela de uma casa alguém joga água sobre os religiosos que, vestidos de branco, pediam respeito ao culto dos Orixás. Essas manifestações de intolerância buscavam intimidar, sem resultado, os participantes da III Caminhada pela Vida e Liberdade Religiosa, realizada em Salvador no dia 25 de novembro.


A religião do Candomblé foi tema de muitas atividades durante o mês da Consciência Negra na capital baiana. As agressões motivadas pela intolerância das seitas evangélicas são vivenciadas cotidianamente por muitos Terreiros em Salvador, em especial nos bairros onde estas comunidades estão mais concentradas. “Aqui na minha comunidade (Itapuã), apesar de termos vencido a Igreja Universal na justiça por conta do crime cometido contra Mãe Gilda, ainda sofro perseguição por grupos de evangélicos. É só entrarem às lojas e as pessoas saem correndo, somos ofendidas na rua por estar trajando roupas religiosas. São ofensas todos os dias aqui, dirigidas a mim e aos filhos da Casa”, denuncia a ialorixá Jaciara Ribeiro, filha de Gildásia dos Santos, falecida em 2000 após perseguição sofrida por evangélicos. Seu caso ganhou repercussão nacional e se tornou referência no combate à intolerância na Bahia.

As manifestações públicas que exigem respeito aos rituais sagrados, à indumentária religiosa e, principalmente, aos Orixás, são uma forma de se chamar a atenção das autoridades para a gravidade das agressões sofridas pelos adeptos do Candomblé, na Bahia e no Brasil. Conhecer os direitos e saber o que é possível fazer em termos legais para assegurar a livre manifestação religiosa é fundamental: “Sem o conhecimento de nossa força, essência e nossa religião, não conhecemos o que nos é mais sagrado, que é nossa história. Isso nos fortalece”, afirmou Mãe Beata de Iemanjá, ialorixá doIlê Axé Omi Ojuarô (RJ), também presente na Caminhada em Salvador.


Combate e Mapeamento - Os agressores não se limitam às palavras e à pregação contra os deuses africanos. O desrespeito contra os adeptos do Candomblé também vem em atos de agressão mais diretos. “O que vemos são casos de ofensas e agressões mais individuais, partindo de alguns fiéis mais fanáticos. O que temos feito é apurado estes casos que chegam até a Promotoria, estreitando a relação com os líderes das igrejas evangélicas para que eles cooperem na eliminação desse comportamento indesejável de seus seguidores”, aponta Almiro Sena, da Promotoria de Justiça de Combate ao Racismo e Intolerância Religiosa. Este combate, inclusive, é um dos resultados esperados com a instituição do Programa de Valorização do Patrimônio Afro-Brasileiro, um produto direto do Projeto Mapeamento de Terreiros de Salvador, realizado pelo Centro de Estudos Afro-Orientais da Universidade Federal da Bahia (Ceao), em parceria com órgãos municipais em 2006.


Foto: Wilson MilitaoO Programa foi instituído pela lei 7.216 e sancionada pelo prefeito de Salvador João Henrique este ano. Com o Mapeamento foram cadastra-dos 1.161 Terreiros em Salvador, o que deverá servir de suporte para implementação de políticas públicas visando a qualidade de vida nestas comunidades, de acordo com a Secretaria Municipal de Reparação (SEMUR) Para tanto, ainda estão sendo esperados recursos que virão de parcerias estabelecidas pela Secretaria. “Essas políticas agora têm o embasamento legal para acontecer. Os próximos governos que vierem encontrarão agora uma legislação e não só mais uma demanda destas comunidades. Agora é política de Estado a valorização do patrimônio afro-brasileiro”, pontuou o secretário de Governo da Prefeitura, Gilmar Santiago. Com o Programa, fica instituído que Terreiros de Candomblé e a própria religião terão o reconhecimento enquanto patrimônio e que sejam encarados como tal pelos poderes públicos.


“Isso não é apenas um Mapeamento, é na verdade uma porta que se abre para a discussão sobre patrimônio afro-brasileiro que, historicamente, nunca teve uma política pública organizada e direcionada a sua valorização. Com esse diagnóstico, temos uma base de dados que nos possibilitará exigir políticas públicas de forma mais sistemática aos diversos órgãos”, explica o subsecretário da Reparação Antônio Cosme, que aponta as conseqüências desses resultados no combate direto à intolerância religiosa. “As comunidades de Candomblé sofrem uma perseguição sistemática por parte de diversas correntes evangélicas. Sabemos que não é à toa que elas abrem suas igrejas onde há um número expressivo de Terreiros e os dados mapeados irão nos auxiliar em muito no estudo de questões como estas, para que possamos garantir os direitos das comunidades”, diz Antonio Cosme.


Realidades de grande tensão semelhantes à de bairros periféricos tais como Paripe, no subúrbio de Salvador, terceiro em número de Terreiros - 40 ao todo - segundo o mapeamento. “Esse desrespeito está em todo lugar, nas tevês, rádios e, principalmente, em nosso cotidiano. Precisamos aprender mais sobre nossa religião para que possamos nos defender desses ataques. Eles sabem quem somos e em que acreditamos, mas insistem em vir pregar à nossa porta, tentar nos convencer de que o Deus deles é melhor. Aqui, acredito que só não atacam mais porque sei dos meus direitos e conheço minha religião. Sei até onde eles podem ir”, enfatiza o Babalorixá DaryMota, do Ilê Axé Torroundê, no bairro de Paripe.


Já em 2009 serão beneficiados 55 Terreiros em Salvador, com ações que envolvem a infra-estrutura e regularização. Os dados colhidos no Mapeamento de Terreiros em Salvador já podem ser acessados no endereço eletrônico www.terreiros.ceao.ufba.br. No site, há informações sobre localização, nome do dirigente, nação, ano de fundação e fotografias dos Terreiros, assim como sobre as ações que serão desenvolvidas em cada um deles.

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No dia 13 de janeiro de 2005, foi assinada sentença obrigando a Igreja Universal do Reino de Deus a indenizar os familiares da ialorixá Gildásia dos Santos, a Mãe Gilda, em pouco mais de R$ 1,3 milhão, por danos morais. Em 1999, o jornal da igreja Folha Universal, publicou uma foto da religiosa em matéria sob o título "Macumbeiros charlatões lesam o bolso e a vida dos clientes". Hoje, a sentença aguarda julgamento no Supremo Tribunal Federal. Confira de poimento da ialorixá Jaciara Ribeiro (filha de Mãe Gilda), do Axé Abassá de Ogum:


Ìrohìn: Qual o resultado da ação movida contra a Igreja Universal?

JB: Há oito anos conseguimos levar a Iurd ao tribunal. Hoje a decisão está no Supremo, em Brasília, pois eles alegam que não pagarão a indenização porque Mãe Gilda já faleceu. Eles não têm interesse em pagar para não dar visibilidade ao povo de santo e à derrota deles diante de nós.


Ìrohìn: O que a Sra. sente quanto a este caso?


JB: Infelizmente nossa religião ainda não tem um órgão qualificado para assessorar nosso povo e acredito ser muito uma questão política também. Não temos representação política que assuma a religião de fato e que lute por nós. Reconheço que só em ter levado eles ao tribunal já foi uma grande vitória. Mas sei também que muito ainda nos devem pela perseguição que passamos e sofremos todos os dias.


Ìrohìn: Algo mudou em sua comunidade após essa vitória?


JB: Hoje temos essa sistematização de igrejas pentecostais como um atestado da intolerância religiosa. Aqui no Abassá de Ogum tenho caminhado muito, falado muito sobre isso. Na verdade, damos mil passos, mas sentimos no final que é apenas um pela falta de crença que temos no poder do Estado em nos assegurar nossos direitos. Dia desses fui abordada por oito evangélicos de uma Igreja à qual pertence um dos que invadiram o Terreiro há alguns anos. Ameaçaram me evangelizar e me diziam que nada na minha vida daria certo por conta de minha religião. Temos passado momentos difíceis na comunidade. Vemos que o povo de santo está uma disposição maior para ir ás ruas, denunciar. Mas ainda é muito pouco diante do que a Emtursa e Bahiatursa vendem, que é a Bahia. Esse culto diário aos Orixás onde tudo é sagrado, é encanto, e atrai turistas. Nada disso se traduz em melhoria para nós. Temos que caminhar muito para mudar esse quadro. Quando vemos o outro xingar nosso Orixá de Diabo é muito desgastante para nós. Entristece, dá raiva. Temos oito anos nessa caminhada árdua e o que nos importa agora é que se há leis, que sejam cumpridas. Os outros têm que nos conhecer e respeitar e saber do crime que cometem ao agirem de tal forma.

De ATABAQUE


                                                                                                            

Montevideo 16 de noviembre de 2008       
Pai Milton de Xangó 
De nuestra mayor consideración
                                                                                                        Por este medio les invitamos a participar del festejo de los 11 años de ATABAQUE en la sala Galería Acuña de Figueroa, Subsuelo del Edificio Anexo al Palacio Legislativo, el próximo viernes 28 de noviembre a las 18:30 hs. con horario de finalización 22:00 hs.

                                                        Usted recibirá en la oportunidad una Distinción Conmemorativa ATABAQUE 2008 Homenaje a la labor espiritual y trayectoria religiosa afroumbandista. 

                                                       Su templo, hijos de religión y simpatizantes, también son invitados a acompañarle en tan importante momento, que será registrado para las páginas de nuestro periódico y por la prensa en general.  
                                                       
Pensamos en una celebración con invitados de diversos ámbitos del quehacer social, político, civil y religioso, la entrega de reconocimientos y palabras de presencias especiales.

                                                        Queremos celebrar junto a amistades y hermanos de fe, que de alguna manera han sido parte de nuestras páginas a lo largo de estos once años. La vestimenta es libre. Quienes quieran concurrir de ropa ritual -la que sientan más a gusto- pueden hacerlo y los que deseen vestir ropa civil también serán bienvenidos. Rogamos puntualidad y presencia a la hora de ser llamados. Los horarios de comienzo y fin del evento serán estrictamente respetados por razones de organización. La prestigiosa sala tiene sus reglas de uso las cuales implican entregarla en tiempos preestablecidos. Seguramente por esta razón, no se podrá llamar dos veces a la persona que no esté presente a la hora de ser distinguida, actividad  que comienza desde el inicio del acto.  
                                                       
Les esperamos y saludamos cordialmente.
                                                                 Julio Kronberg - Susana Andrade

Un nuevo barco en puerto seguro



Hemos anclado en el puerto de la seguridad tras el cumplimiento de una nueva obligación religiosa -la última- en esta casa que es la sede de nuestra comunidad.

Las próximas, orisha mediante, serán en la casa nueva.

Èsùlébun, Oyádemi, ngówalé, ngódarémi, Obágbòsé, Omolújemolà y Òséfúnmi hemos zarpado el viernes próximo pasado al viaje anual de reencuentro con nuestras divinidades personales, acompañados por las oraciones y el trabajo de todos los miembros de esta comunidad de culto. Con nosotros ha estado -de hecho estará hasta el domingo 19 en que se cierra este ciclo ritual- Omilolà, ìyá Indiana de Yemoja Bomi, colaborando con alegría en la cocina, el lavadero y toda la tarea interna que exige el cuidado de los presos por el precepto. La ayuda invalorable de ngótóbí, ngósínòn, Ijòye, Omitunji, Oyábunmi, Òsunrinde, Òsundara, Òsunbílayo, y el sorprendente Òsànlábunmi han sido parte del éxito requerido para poder cumplir todos los detalles que nuestra tradición exige.

A todos ellos, pues, nuestro más caluroso reconocimiento. A Ifágbimo nuestra gratitud, así como a Oyáwanjó y a Omibangbàiyé que estarán llegando mañana viernes a danzar para sus orisha con nosotros el sábado, aportando sus dos niños para la roda de Ìbèjì, el menor, Lautaro, de sólo dos meses de vida…

Nuestra familia se honra en celebrar este evento agradeciendo además a los amigos que han escrito, llamado por teléfono y regalándonos su visita durante el retiro: bàbá Alfredo de Ògún -presidente de Metropolitana- Fernando de Sòngó, que está en retiro desde ayer (felicidades a granel, hermano querido), ìyá Ángela de Yemoja y bàbá Guillermo de Ògún, bàbá Damián de Òsànlá, Cristina de Bàrà, Lilián de Bàrà, pai Alejandro de Sòngó, Marisa de Oyá, Gladys de Oyá, Dr. Alejandro Frigerio, Juan Batalla, Daniel Barreto, Marianela de Òsun, Marisa Zetta… tantos amigos que nos han hecho llegar sus buenos deseos.

Que nuestros orisha se levanten en alegría, prosperidad y salud -lo necesario para seguir navegando- y les den las más selectas bendiciones de gratitud por su interés y afecto.

Sábado 13 y domingo 14: Módulo V en Omi O Bàbá!

Continúan los Talleres y Seminarios en la Asociación Omi O Bàbá!

Organizados por ìyá Peggie Ifáwunmi, llegan ya a su Quinto Módulo despertando el interés de una nutrida selección de religiosos argentinos que debaten fraternalmente sobre aspectos menos conocidos -o muy mal transmitidos- del batuque portoalegrense en ambas márgenes del Río de la Plata.
En esta oportunidad se suman al grupo de panelistas/expositores el bàbá Gustavo Villegas Boissier de Òshànlá y su hijo carnal el alágbè Lucas de Shangó. Profundos conocedores de los toques de atabaque convocantes de nuestras divinidades y de un extensísimo repertorio de orin -rezos cantados- comunes a todas las naciones de batuque, es indudable que ambos aportarán un plus interesante a los temas que tanto ìyá Peggie como bàbá José Nunes de Xapanã desarrollan para deleite de una siempre creciente concurrencia.
Para no perder este evento, que dará comienzo a las 14 horas del sábado. Informarse a través del teléfono 4761 4527: una voz amable y hospitalaria recibirá su inscripción.

O pai-de-santo que reinventou a umbanda

O alagoano Carlos Buby transformou os rituais em cerimônias diurnas, bem organizadas e voltadas para o público de classe média. Com isso, seus 11 templos já atraíram mais de mil fiéis no Brasil, na Europa e nos Estados Unidos.

Mariana Sanches

INOVADOR

Sexta-feira, 8 horas da noite. O som dos atabaques – tambores africanos – ecoa na ampla sala. Em círculo, mulheres com saias rodadas e coloridas e homens de bata e turbante batem palmas e entoam cantos que evocam orixás e Pretos Velhos – espíritos que representariam escravos anciãos. Os fiéis procuram seguir os versos em português escritos em um panfleto. Eles dizem aguardar a presença das entidades para contar suas aflições. No fundo da sala, um pequeno altar enfeitado com plantas e flores sustenta a imagem de um índio, o Caboclo Guaracy.

Em instantes, os médiuns – os que recebem os espíritos – teriam começado a incorporar seus Pretos Velhos. A descrição seria fiel a diversos terreiros de umbanda, religião considerada brasileira, que agrega orixás do candomblé a entidades como o Caboclo e o Exu. Nessa casa, porém, boa parte dos umbandistas é francesa. O templo umbandista a poucos metros da Bastilha, no número 8 do beco Druinot, em Paris, França, é um dos 11 terreiros de umbanda espalhados por sete países e dirigidos por um único pai-de-santo: Carlos Buby. É assim que se apresenta o alagoano, de 57 anos, Sebastião Gomes de Souza. Em duas décadas, ele levou o Templo Guaracy do Brasil a Washington, Berkeley, Nova York, nos Estados Unidos; Quebec, no Canadá; Linhol, em Portugal; Graz, na Áustria; Genebra, na Suíça; Paris, Estrasburgo, na França. Lugares onde a religião era praticamente desconhecida. A expansão da umbanda promete ser ainda maior com a inauguração no ano que vem de filiais no México, na Espanha, na Grécia e no Peru. Enquanto no Brasil o número de umbandistas declarados decresce – segundo dados do IBGE, passou de 542 mil adeptos em 1991 para 432 mil em 2000 –, só os fiéis das casas de Buby já ultrapassam os mil.

Os números não são o que mais chama a atenção dos especialistas em umbanda. Eles dizem se surpreender com a nova umbanda criada por esse pai-de-santo. “É uma reedição moderna da religião”, afirma Vagner Gonçalves da Silva, antropólogo da Universidade de São Paulo. Para os sociólogos e antropólogos, Buby conseguiu tirar o templo do porão para alocá-lo em um espaço novo, que segue conceitos de arquitetura e estética. Os templos Guaracy apresentam várias novidades. A primeira delas é que são projetados e pensados para abrigar com conforto as classes média e alta, ao contrário dos templos de fundo de quintal. No exterior, a maioria dos freqüentadores é nativa, não brasileira. Outra inovação: normalmente, o pai-de-santo é responsável por apenas um terreiro. Carlos Buby controla uma rede de terreiros no Brasil e no exterior. Por meio de relatórios enviados por e-mail ao final de cada ritual, ele acompanha como cada filial se desenvolve. “É muito raro ver um pai-de-santo comandando vários templos. Filiais de centros na umbanda são uma inovação”, afirma Gonçalves da Silva.

Carlos Buby tem um físico enxuto. Sua estatura alta e seu porte são incomuns para quem afirma não fazer mais que meia hora de esteira por dia. A presença do dirigente nunca é ignorada. Por onde passa, as pessoas se viram com sorrisos, ainda que ele nem as cumprimente. “Buby tem uma energia incrível”, diz a biomédica paulistana Fabiana Ieger, que freqüenta há três anos um dos templos do Brasil. Ele também tem fama de fazer sucesso entre as mulheres. “O porte e o jeito de falar cativam. Ele chama a atenção das meninas.” Buby foi casado duas vezes s e hoje tem uma bela namorada, 36 anos mais nova que ele. Veste-se de modo simples, com bata e calça branca e um turbante de cor neutra. Se os fiéis reclamam de algo, é da falta de acesso a ele. Há mais de dez anos, o pai-de-santo não atende diretamente os visitantes. “Na última vez, em 1997, formou-se uma fila de 150 pessoas”, diz Buby. Apesar da fala mansa, ele não esconde o requinte das palavras e o poder de convencimento.

A origem desse líder umbandista faz jus à fama do Brasil como um país de forte sincretismo religioso. Batizado com o nome de Sebastião, santo que teria curado o irmão mais velho da coqueluche, o pai-de-santo nasceu em berço católico. Sua mãe, Natália Alves de Souza, afirma que não imaginava que o segundo filho fosse viver para – e dos – orixás. Os pais se mudaram para São Paulo porque queriam dar a ele, então com 7 anos, e a seus dois irmãos a possibilidade de estudo que não teriam na pequena Colônia Leopoldina, cidade de 17 mil habitantes a 84 quilômetros de Maceió. “Morávamos numa fazenda de cana-de-açúcar. Não tinha estrutura nem escola ali”, diz Natália.

Em São Paulo, as crianças puderam estudar. A família vivia do comércio e ia à missa todos os domingos. A trajetória do devoto coroinha da Igreja Matriz de Santo Amaro, em São Paulo, mudou quando ele completou 15 anos. Buby diz ter começado a sofrer de desmaios e dores de cabeça. Tornou-se um adolescente calado, sem entusiasmo pela vida. Perdeu o emprego de office-boy e não ia bem nos estudos. O pai-de-santo afirma que médicos, psicólogos e psiquiatras não conseguiram desvendar seu mal. “Meu diagnóstico veio dois anos depois: o Caboclo Ubiratan, em um terreiro de umbanda paulistano, disse que eu tinha mediunidade”, afirma. Um vizinho umbandista sugeriu a seus pais que o levassem a um centro. O pai-de-santo diz que os pais católicos acabaram por aceitar a idéia, mesmo acreditando que fosse pecado. Concordaram também que o filho continuasse a freqüentar o lugar por mais dois anos. Segundo Buby, foi quando o Caboclo Guaracy veio lhe dizer que era hora de fundar o próprio terreiro.
“Em 1997, na última vez em que atendi diretamente os fiéis, formou-se uma fila de 150 pessoas” Carlos Buby, pai-de-santo

Aos 19 anos, ele começou seu trabalho de modo caseiro, como tantos outros pais-de-santo. Buby afirma que incorporava o Caboclo na sala de casa, ajoelhado em frente a uma vela branca acesa sobre a radiovitrola, seu primeiro altar. De acordo com o pai-de-santo, no início, ele recebia os ensinamentos da entidade por intermédio de seu pai, que anotava tudo que entendia da fala enrolada do Caboclo. A irmã mais nova, Maria Aparecida de Souza, esperava pelo fim da sessão tremendo de medo. Aos poucos, ele passou a atender os conhecidos da família. Quando já não cabia mais gente na modesta casa do bairro paulistano Vila das Belezas, Buby resolveu montar um espaço próprio.

Embora diga que todas as mudanças que operou na religião tenham sido fruto de inspiração da entidade Caboclo Guaracy, as atitudes adotadas por Buby em seu templo demonstram ser resultado do planejamento de uma mente perspicaz e detalhista. Buby não chegou a completar o ensino fundamental. Repetiu seis vezes a 7a série e desistiu de estudar. Aparentemente, o conhecimento formal não fez falta. Quem o conhece diz que ele parece ter tino empresarial. “Ele é muito organizado e inteligente”, afirma Jamil Rachid, presidente da União de Tendas de Umbanda e Candomblé do Brasil. “Com administração regrada, o trabalho só pode prosperar.” A capacidade de organização veio com o trabalho no templo. Por volta dos 25 anos, Buby se dividia entre as funções de auxiliar de enfermagem durante o dia, pai-de-santo uma vez por semana e cantor de bar à noite. “Eu acabava as sessões, me trocava e passava a madrugada cantando em restaurante para conseguir me sustentar e manter o templo”, diz ele.

Após dez anos sem nenhum retorno na carreira musical, uma gravadora lhe propôs um bom contrato. Suas músicas seriam gravadas, mas ele teria de fazer inúmeras viagens para divulgação. “Eu ficaria 30 dias fora e dois em casa. Não tinha como conciliar a carreira de músico, de enfermeiro e dirigente de templo”, diz Buby. “Passei, então, a me dedicar totalmente à umbanda.” No início, os escassos dez filhos-de-santo –os médiuns sob a responsabilidade do pai-de-santo– e a casa rude e mal-acabada na Rua dos Missionários, em São Paulo, não permitiam prever a quantidade de seguidores e a suntuosidade que as casas do Caboclo Guaracy abrigariam. Hoje, há cerca de 430 filhos-de-santo brasileiros, divididos em dois templos no Estado de São Paulo. Um deles é s uma casa adornada por um lago artificial em que se criam carpas na região do bairro paulistano Campo Limpo. O outro, um sítio de 104.000 metros quadrados, com campos gramados, áreas de Mata Atlântica, um lago e uma cachoeira, em Cotia, na Grande São Paulo.

RITUAL E BELEZA
No templo de Cotia, as paredes são estilizadas. Nele, os médiuns ficam em círculo, formação incomum na umbanda. Os dois templos brasileiros foram arquitetonicamente projetados por Buby. São amplos, bem conservados e repletos de detalhes simbólicos. Durante o culto,todos os médiuns usam o mesmo modelo de roupa desenhado pelo pai-de-santo. Os objetos usados também são padronizados. Tudo parece estar sempre na mais perfeita ordem.

O Templo Guaracy em Cotia é aparentemente o melhor exemplo disso. Ao chegar lá, o fiel tem o conforto de um amplo estacionamento. É recepcionado por uma mulher com um turbante numa sala iluminada, com portas de vidro e cadeiras confortáveis. Numa escrivaninha descansa a tela plana do computador, no qual são registrados os dados do recém-chegado: nome completo, telefone, número do documento de identidade. As contas do templo estão no mesmo computador. “A informatização e o controle de freqüência são incomuns nos terreiros”, diz Milton Aguirre, presidente do Superior Órgão de Umbanda do Estado de São Paulo.

Vizinho à recepção, está o templo. Ele parece ter sido construído à semelhança de seu dirigente: imponente e sofisticado. Ao passar por uma das quatro portas de entrada, o visitante avista o colorido dos trajes dos umbandistas que dançam. No lugar de um velho reboco, paredes de barro graficamente desenhadas. O alto teto de palha dá um ar de suntuosidade. Ao contrário de outros centros, no Templo Guaracy os rituais são organizados de modo circular, com cada médium em seu lugar para dar maior visibilidade ao visitante. Evita-se qualquer ação que possa chocar ou constranger, como gritos ou a incorporação de espíritos que façam o médium se arrastar pelo chão. A duração dos cultos não passa de duas horas e sempre começa no horário, em sintonia com o relógio do pai-de-santo. “Isso tudo dá segurança à pessoa”, afirma Buby. “Quem entra aqui sabe que é um lugar organizado, que respeita horários.” Outra distinção importante: no terreiro de Buby o fiel não encontra Exus e Pombogiras, os espíritos que supostamente viriam do baixo povo. Bebidas alcoólicas não são ingeridas na frente dos freqüentadores, uma prática comum na umbanda. Boa parte dos cultos é feita à luz do sol, sempre com a presença de crianças. Também não há sacrifícios de animais.

O nascimento da umbanda

A versão mais aceita para a origem da umbanda estaria completando cem anos neste ano . Em 15 de novembro de 1908, o médium Zélio Fernandino de Moraes, considerado por muitos umbandistas como fundador da religião, teria incorporado o caboclo Sete Encruzilhadas em sua casa em Niterói. O fluminense Zélio tinha, nesse então, 17 anos. Ele sofria de paralisia e os médicos não conseguiam resolver seu mal. Para tentar sanar o problema, o jovem foi levado à federação espírita do estado do Rio de Janeiro. Ali, sua mediunidade foi supostamente revelada. A entidade caboclo Sete Encruzilhadas não teria sido aceita entre os espíritas por ser considerada inferior. A rejeição o levou a fundar a umbanda.


Carlos Buby moldou a religião para que fosse atraente e agradável para os letrados. “Buby criou uma umbanda clean”, afirma Lísias Negrão, sociólogo da Universidade de São Paulo (USP). O pai-de-santo diz que o estilo dos rituais faz parte da doutrina estabelecida pelo Caboclo Guaracy. Para ensinar esses preceitos, dá cursos pelos quais cobra até R$ 200. Nas aulas, os ditos médiuns, iniciantes ou não, tomam nota freneticamente enquanto Buby lança mão de conceitos científicos, como os genes ou a força da resistência do ar, para tentar explicar as energias dos orixás e suas formas de atuação.

“No Templo Guaracy, a arquitetura, os rituais, a filosofia e a explicação do mundo são complexos”, afirma a antropóloga húngara Viola Teisenhoffer, que faz doutorado sobre a expansão de terreiros de umbanda na França pela Universidade Paris X. “Eles atendem o tradicional umbandista e ainda atraem um público sofisticado, que provavelmente nunca pisaria num templo de fundo de quintal.”

É o caso da paulistana Daniela Matarazzo de 36 anos. A advogada da Embraer e ex-professora universitária, freqüenta o Templo Guaracy há seis anos. Daniela conheceu o lugar por meio de uma aluna de seu curso de Direito. “Eu trabalhava demais, vivia estressada e havia muito tempo não praticava minha religiosidade”, diz a advogada, cuja formação foi católica. Casada, mãe de dois filhos, com uma rotina estressante que a faz se dividir entre duas casas, uma em São José dos Campos onde trabalha, e a outra em São Paulo onde mora, ela afirma que o terreiro ajuda a melhorar sua qualidade de vida. “Vejo o templo como uma terapia. A umbanda se mostrou uma ótima oportunidade de refletir sobre a vida. Sempre saio com a auto-estima mais fortalecida.” Daniela nunca freqüentou outros terreiros antes e diz se sentir segura com o trabalho do Templo Guaracy. Quando questionada sobre outros terreiros ela hesita. “O que me fez ir ao Templo Guaracy foi o fato de os rituais serem de dia e de o lugar ser muito bonito, organizado e agradável”, afirma. “Se fosse à noite, num quartinho escuro, eu jamais iria. Tenho meus limites.”

Segundo o pai-de-santo todos os seus templos, inclusive aqueles fora do país, foram construídos com o dinheiro de doações dos freqüentadores. Ele também afirma que nunca houve transferência de caixa do Brasil para o exterior. “Cada templo se mantém com os recursos que consegue. Não há intercâmbio de dinheiro entre eles”, diz Buby. Ao contrário do que comumente acontece nos terreiros, ele não paga as contas do templo. Buby adota uma prática de muitas religiões tradicionais, mas exceção na umbanda: é sustentado pelo templo. Enquanto padres, bispos e rabinos recebem por se dedicar à religião, pais-de-santo da umbanda não se profissionalizam. Ao contrário, põem dinheiro do próprio bolso na instituição. “Mais de 90% dos terreiros são sustentados pelos dirigentes. Feliz é o pai-de-santo que consegue viver do dinheiro que sai dali”, afirma Rubens Saraceni, dirigente e autor de livros sobre o tema.

Buby transformou os dois templos de São Paulo em associações. Passou a convidar os freqüentadores, mesmo àqueles que só apareciam de vez em quando, a se tornar sócios. No início, a idéia era que cada membro brasileiro contribuísse com uma mensalidade de R$ 35. “É com esse dinheiro que mantemos a casa, mas se a pessoa não puder pagar não tem problema”, diz Buby. Muitos fiéis dos templos de Buby afirmam ser um preço justo pelo conforto e sofisticação que a casa oferece. Ainda assim, Buby diz que menos da metade paga o valor total. Ele exibiu as contas do terreiro para a reportagem de ÉPOCA. Nos recursos declarados por ele no Imposto de Renda de 2007, a arrecadação dos associados soma R$ 132.513, ou algo como R$ 11 mil por mês. “Muitos terreiros não arrecadam isso em um ano inteiro”, diz o líder umbandista Milton Aguirre. “Não conseguimos fazer com que os médiuns doem nem R$ 10.” Os gastos declarados no mesmo ano foram de R$ 173.289, resultando num saldo negativo de R$ 40.777. Buby diz que cobriu esse saldo negativo com os cursos que oferece. Ele também mostrou extratos de sua conta bancária pessoal – saldo negativo de R$ 700 – e da conta do templo – saldo positivo de R$ 2.114,17.

Se os templos paulistas foram planejados, o mesmo não aconteceu, -diz Buby- com os nove terreiros Guaracy fora do país. “Ter casas no exterior nunca foi minha intenção”, afirma. Ele não fala nenhuma língua estrangeira e se diz pouco afeito a viagens. Nos anos 80, psicólogos suíços e franceses em visita ao Brasil teriam ido conhecer o primeiro templo. “Eles ficaram fascinados. Em menos de três meses, voltaram querendo aprender sobre a tradição”, diz Buby. Desse interesse teria nascido o primeiro terreiro fora do Brasil, o Templo Guaracy de Genebra, na Suí­ça. Numa sala alugada, uma imagem do Caboclo Guaracy ocupou o centro do altar, adornado com flores, pedras e uma pequena fonte. Os suíços e os franceses compraram as roupas coloridas e bufantes criadas por Buby, modelo depois usado em todas as unidades. Para entender as entidades da umbanda os estrangeiros tiveram de estudar a história e o significado dos Caboclos e Pretos Velhos. Buby exigiu que todos os praticantes fizessem o culto em português. Fitas cassete gravadas com os cantos umbandistas foram reproduzidas à exaustão, até que o coro perdesse o sotaque.

Cassandra Kharam, professora americana de 39 anos, é uma das 40 pessoas que vão ao Templo Guaracy de Washington semanalmente. Filha de judeus, Cassandra foi a cultos islâmicos e conheceu a religião cubana santería, equivalente ao candomblé nos países centro-americanos. “O terreiro de umbanda foi o lugar em que me senti melhor”, diz. “Nos Estados Unidos, as pessoas estão carentes de um senso de comunidade e de maior positividade, coisas que a umbanda tem. As outras religiões são mais fechadas e unilaterais.”

Na Europa, talvez por curiosidade ou necessidade, franceses e austríacos começaram a viajar até Genebra para ouvir as palavras de um caboclo. “Pensamos, então, que seria possível formar templos na Áustria e na França”, afirma Maria Aparecida, irmã de Buby. Ela antes temia a aparição do Caboclo. Hoje, visita os terreiros no exterior a cada quatro meses. É a responsável por garantir que os rituais sejam idênticos aos realizados no Brasil. Depois de Genebra, Buby fundou outros quatro templos na Europa.


Os templos estrangeiros sofreram pequenas adaptações. Em Berkeley, nos EUA, é proibido fumar em locais fechados. Isso levou os médiuns a abandonar charutos e cachimbos usados nos rituais. Em Paris, os umbandistas estocam no congelador ervas importantes para os rituais, como o manjericão, que não resiste ao frio da cidade. Em Washington, grossas espumas isolam o som forte do atabaque do resto da vizinhança. Apesar dessas alterações, esses templos têm a mesma organização administrativa do Brasil. O trabalho é realizado por s coordenadores, pessoas escolhidas por Buby para resolver os problemas práticos e burocráticos das casas. Eles registram os visitantes, cuidam de uma loja de produtos religiosos e cobram mensalidades dos associados. Anualmente, os filhos-de-santo têm de vir ao Brasil. Para isso, Buby montou uma pousada em Cotia, na Grande São Paulo. “O pai nunca veio a nosso terreiro, por isso é importante irmos a seu país para beber na fonte da sabedoria”, afirma Krishna Ruano, coordenadora do templo de Nova York. “Ultimamente, não temos ido porque a viagem é muito cara.”

Essa é uma reclamação recorrente dos estrangeiros. Há quem diga que essas viagens anuais são um dos meios de Buby ganhar dinheiro. “A gente ia para ficar uns dez dias no Brasil. Ficávamos presos no templo e ainda pagávamos 30 euros por dia pela hospedagem”, diz um ex-filho-de-santo na Europa, que não quis se identificar. “O que ele faz não é umbanda. Ele não é um pai-de-santo, é um empresário, um agente de viagens.” Buby nega as acusações e afirma que sua intenção nunca foi lucrar com a religião. “Só tenho uma linha telefônica. Todas as propriedades estão em nome do templo”, diz.

Essa não é a única polêmica em que se envolveu o líder religioso. Em 1996, a psicoterapeuta francesa Barbara Schausser, coordenadora do terreiro de Paris, foi processada por duas pacientes que a acusaram de praticar rituais da seita para tratar a bulimia de ambas. Barbara teria usado a umbanda como forma de tratamento. Isso teria causado dependência emocional e isolamento social, segundo as francesas. A psicoterapeuta respondeu ao processo judicial com um outro, por difamação. A história acabou em acordo amigável entre as partes. “Eu vejo o templo como uma terapia. A umbanda se mostrou uma ótima oportunidade de refletir sobre a vida. Sempre saio com a auto-estima mais fortalecida” Daniela Matarazzo, 36 anos, advogada.

O caso teve grande repercussão na França. Reportagens foram publicadas em jornais de grande circulação, como o Libération. Depois desse episódio, Barbara perdeu a credencial de psicoterapeuta do Mutuelle Générale de L’Education Nationale, órgão oficial do governo francês que apóia pesquisas na área da saúde. “Sempre busquei alternativas a remédios no tratamento de vícios e doenças compulsivas. Foi o que fiz nesse caso”, diz Barbara. Mesmo após o processo, ela continua com as práticas umbandistas em seu consultório, mas afirma que nunca mais levou seus pacientes ao templo.

Embora alguns pais-de-santo digam que Buby quer padronizar a religião e controlar os fiéis, seu estilo de dirigir o terreiro parece ser uma alternativa para a sobrevivência da umbanda no Brasil. “A tendência é que diminua o número de umbandistas”, afirma Reginaldo Prandi, sociólogo da religião da USP. “Um dos grandes motivos para a perda de fiéis é o crescimento das igrejas evangélicas, com sistemas menos complexos e que exigem menos tempo e dedicação.” Nas igrejas pentecostais, não há vários deuses, como os orixás. “Na umbanda, é sempre preciso estar alerta, dar atenção aos orixás, aos guias, fazer trabalhos e há sempre a ameaça de que alguém manipule essas forças contra você”, diz a antropóloga Yvonne Maggie, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. “Se a pessoa passa a acreditar que só Jesus salva, só ele é poderoso, tudo fica mais simples.”

É a idéia do medo do feitiço tão freqüente nos terreiros, que Buby procura afastar de seus rituais. “Não negociamos com Deus. Não acreditamos que os orixás sejam responsáveis pelo sucesso ou fracasso de alguém”, afirma. A nova leitura da crença feita por esse pai-de-santo, somada à administração moderna, pode atrair novos seguidores para a religião. “No futuro, quase todos os pais-de-santo serão como ele”, diz o antropólogo Vagner Gonçalves da Silva.

Para entender a umbanda: Significados de termos usados na religião

ADJÁ -Sino metálico de três bocas agitado pelo pai-de-santo
ARUANDA -Morada dos orixás, o céu na tradição católica
ATABAQUE -De origem árabe, é um instrumento de percussão africano, usado nos cantos
BABALORIXÁ -Sinônimo de pai-de-santo, que também pode ser dirigente de terreiro
ENCRUZILHADA -Nos cruzamentos de ruas, linhas férreas ou qualquer via terrestre estariam as moradas dos Exus e Pombogiras
GIRA -Nome dado aos rituais em que os espíritos viriam para atender os fiéis
GUIA -Entidades que os médiuns supostamente recebem. Também servem para designar os colares coloridos usados nos cultos
PEMBA -Tipo de giz que teria poderes mágicos, usado nos rituais de benzer

Os espíritos da umbanda: Os arquétipos das entidades que atendem os fiéis nos terreiros

CABOCLOS -Esses seriam os espíritos que se comportam como índios. Usam palavras em tupi. Fumam charuto e, por vezes, tomam cerveja. Usam cocar de penas e capas. Seriam os mais evoluídos, ao lado dos Pretos Velhos
PRETOS VELHOS -Representariam os escravos brasileiros. O médium que supostamente os recebe anda arqueado. Fumam cachimbo e tomam café. São procurados pelo poder de cura que teriam e nomeados de “vô” e “vó”
ERÊS -Seriam espíritos das crianças. A maior parte não sabe andar. Toma guaraná, chupa pirulito e benze os fiéis com brinquedos. Alegres, seus nomes estão no diminutivo. Chamam os adultos de “tio” ou “tia”
BAIANOS -Seriam arquétipos de espíritos nascidos na Bahia. Com forte sotaque baiano, usam expressões típicas, como “meu rei”. Fumam cigarro de palha, tomam batida de coco. Os homens geralmente carregam uma peixeira
BOIADEIROS -O mítico peão sertanejo responsável pelo gado seria representado por eles. hicote, boleadeiras e berrante são seus instrumentos. São valentes e fortes. Com voz grave, é difícil entender o que falam
MARINHEIROS -Quando baixam, faz o médium ter dificuldade de equilíbrio, chacoalhando de um lado para o outro, como se estivesse em alto-mar. Explicam o mundo por meio de metáforas
sobre navegação
CIGANOS -É uma nova entidade na umbanda. Eles dançam e tocam castanholas e pandeiros. A capacidade de adivinhação e leitura de cartas costuma estar relacionada à presença desses espíritos
EXUS/POMBOGIRAS -Conhecidos como espíritos que viriam do ambiênte prostibular, seriam capazes de fazer o mal em troca de bebidas ou velas pretas. O Exu toma uísque e cachaça. A Pombogira sidra, champanhe e anis



A psicóloga Barbara Schasseur, citada na reportagem, enviou a ÉPOCA a seguinte carta:

O processo a que a reportagem se refere foi na verdade iniciado por mim contra dois ex-pacientes em 1996, e não teve “grande repercussão na França”. A reportagem feita pelo Libération foi a única sobre o assunto, e saiu seis anos depois do processo, no momento da publicação de meu livro e de uma entrevista minha à Radio France. Essa reportagem foi feita por iniciativa de pessoas que criticavam minhas teorias e se apoiava na raiva de alguns pacientes.

Fui eu que me demiti da Mutuelle Générale de L’Éducation Nationale em 1999. A Mutuelle não é um órgão oficial do governo francês nem apóia pesquisas na área de saúde. É um fundo de aposentadoria complementar criado pelos professores franceses da Éducation Nationale, esta sim um serviço público.

Nunca perdi minha credencial com o governo. Não só sou psicoterapeuta, mas também doutora em psicologia clínica pela Universidade Paris VII, com diploma de medicina tradicional africana.

Não estou praticando umbanda no meu consultório. A umbanda é uma crença e uma religião que desenvolve a mediunidade para contactar entidades. Não levo nenhuma crença para dentro do meu consultório nem trabalho com mediunidade.

Nunca tentei tratar bulimia levando pacientes ao Templo Guaracy, porque sempre esteve claro para mim que o Templo Guaracy oferece um caminho espiritual, e não uma cura. A bulimia é uma doença grave, que precisa de ajuda especializada.

Por fim, gostaria de esclarecer que o Templo Guaracy de Paris é considerado pelo governo francês como um culto de tradição afro-brasileira, e não uma seita. Em 1996, na França, houve todo um movimento político e religioso perseguindo as associações que apoiavam conceitos espirituais. Uma “lista negra” das seitas foi publicada. O Templo Guaracy não entrou nessa lista porque sempre foi reconhecido na França, pelo governo, como um culto religioso,que respeita as leis do país. Se seus dirigentes foram criticados por algum motivo, é outra história.

Barbara Schasseur, Paris, França