San Antonio

Por esas cosas del sincretismo, san Antonio -el de Padua, claro, no el abad- se ha convertido en vedette cada 13 de junio en el Sur y en el Norte de Brasil. En el Sur como Bàrà -eufemismo menos implicante para llamar al travieso Èsù- y en el Norte como Ògún, el orisha herrero que asume su rol de coronel de los ejércitos basileños con sueldo y todo.
También, producto de esas interpolaciones mágico religiosas que los pueblos instauran, el ascético personaje es reputado como "casamentero" al que si no trabaja con rapidez es posible que alguna dama entrada en años y carnes le vire su imagen poniéndola del revés para obligarle a atender la solicitud...Claro que en estos tiempos en los que el matrimonio ha dejado de ser la meta de una mujer que puede descollar públicamente por sus actividades o por su talento sin necesidad de ser la mujer de, esta función ha quedado un tanto desdibujada. El género femenino está recuperando su importancia de paridad y no de sujeta a un marido/tutor/administrador como si se tratara de una criatura irracional.

En este 13 de junio saludo a todos los Antonios y Antonias, Antoninos y Antonietas, y también a aquellos hermanos que no pueden despegarse del sincretismo subyugador para celebrar a Èsù, Bàrà, el Motor de Todo el Movimiento Cósmico. Que el Señor de los Caminos horizontales y verticales -y mucho me temo que también de los circulares- sea propicio a todo el planeta. Que cada chivo o gallo que coma le lleve pedidos de paz, crecimiento y salud. El matrimonio o la pareja más o menos estable cada cual habrá de conseguirlo de acuerdo a sus necesidades y artes, de modo que pidámosle un mundo mejor, más abierto y dinámico.
Como en la imagen tan conocida, somos tan sólo ese niñito que carga en sus brazos en espera de un mundo más solidario...

Un poco de historia eclesiástica comentada por un servidor

Los padres de Antonio eran muy ricos y querían ver a su hijo como distinguido hombre de sociedad. Él, en cambio, quería ser pobre por amor de Cristo y por eso se hizo franciscano (una de las órdenes más ricas pese a los deseos de Francisco de Asís, su fundador) Antonio era un gran predicador. Lo mandaron como misionero por numerosas ciudades por Italia y Francia. Convirtió a muchos pecadores, sobre todo con su buen ejemplo. Cuentan que mientras oraba en su habitación se le apareció Jesús, le puso las manitas al cuello y lo besó... (supongo que en forma de niñito, porque las manos de un adulto no pueden definirse como "manitas") Antonio recibió esta gracia extraordinaria porque mantuvo su alma limpia incluso del más mínimo pecado, y amaba mucho a Jesús. Cuando enfermó se retiró a un monasterio en las afueras de Padua donde murió a la edad de 36 años, el 13 de Junio de 1231. Treinta y dos años después sus restos fueron trasladados a Padua. La lengua se conservaba íntegra, sin haberse corrompido mientras que el cuerpo estaba aniquilado (señal de nunca haber dicho nada de lo que tuviese que arrepentirse) Sucedieron muchos milagros después de su muerte. Aun hoy día le llaman el Santo de los milagros. Su fiesta se celebra el 13 de junio, en conmemoración de su muerte. El entusiasmo popular ha hecho que San Antonio, más que otros, sea universalmente reconocido por los fieles de todo el mundo: "Santo Universal" le llaman. Durante los siete siglos ya transcurridos desde su muerte, millones de personas se han sentido atraídas a este gran “Franciscano Milagroso”. Fue otro franciscano, San Buenaventura, quien dijo: "Acude con confianza a Antonio que hace milagros, y el te conseguirá lo que buscas." La tumba del santo está en la basílica que lleva su nombre en la localidad italiana de Padua, que visitan anualmente unos cinco millones de devotos. El crecimiento de la devoción al santo llevó a los franciscanos, la orden a la que pertenecía, a llevar por todo el mundo algunas de sus reliquias (muchas realmente, tantas que podrían conformar el cuerpo de mil antonios) A San Antonio de Padua se le atribuye una gran capacidad de interceder ante Dios para que obre milagros. De hecho, en los primeros meses posteriores a su muerte, ocurrida en 1231, la Iglesia le adjudicó a su poder de intercesión muchas acciones milagrosas. Lo que le valió su canonización en tiempo récord: un año.
Como decía mi abuelita gallega: "La aguja sabe bien lo que cose y el dedal aquello que empuja"...



Segundas-feiras de fé: sincretismo e pipoca.


por Rodrigo Marques

Segunda-feira é um dia especial na Federação. É quando centenas de pessoas sobem os 14 degraus que levam à pequena igreja de São Lázaro para agradecer e fazer pedidos relacionados à saúde e à cura de doenças. A capela que foi erguida ainda no período colonial, no século XVIII, tem uma significativa importância na história da tradição Católica e do Candomblé na Bahia. O sincretismo religioso também faz parte da identidade histórica do santuário, onde, até hoje, algumas baianas reverenciam São Lázaro como Omolu e São Roque, que é o outro padroeiro do santuário, como Obaluaê, através do conhecido banho de pipoca.

A tradição e o sincretismo religioso que existem na igreja de São Lázaro estão ligados a fatores históricos e geográficos. Segundo o Padre Marcos Piatek, que coordena a Paróquia Ressurreição do Senhor à qual pertence o santuário de São Lázaro, a Federação era um lugar isolado do centro da cidade para onde eram enviadas as pessoas com doenças contagiosas e também os escravos doentes trazidos da África. Tudo isso acontecia devido à existência do Hospital de São Lázaro, conhecido por Lazareto, que era ligado à igreja no período colonial.

A crença em São Lázaro e em São Roque como santos que intercedem nas curas das doenças é algo bastante presente entre os visitantes do santuário na Federação. “Ganho muitas bênçãos para mim e para minha família”, contou Dona Celina Ferreira da Silva, uma funcionária pública de 65 anos que sempre vai às missas realizadas nas segundas-feiras, para agradecer pelas graças e pedir pela melhora de seu marido, que está muito doente. Assim como Dona Celina, o jovem casal Vandergleison dos Santos, 25 anos e Adelita de Jesus, 32, explica que comparecem às celebrações como forma de agradecimento pela cura do seu filho.

As figuras de São Lázaro e São Roque estão diretamente ligadas aos aspectos referentes às doenças. São Lázaro foi citado em uma das parábolas de Jesus, no evangelho de São Lucas, como um pobre mendigo cheio de feridas na pele, que pedia à porta de um homem rico. Lázaro não tinha amigos, mas somente cachorros em sua companhia. Já São Roque foi um jovem médico francês que viveu na Idade Média e abriu mão da sua riqueza para seguir uma vida próxima à Cristo. Ele se tornou santo por conseguir uma cura milagrosa sobre a peste negra que contaminou a Europa naquela época.

Tradição

A existência do sincretismo religioso é muito forte na Bahia e isso tem uma clara fundamentação histórica. Para o padre Edson Menezes, reitor do Seminário Central São João Maria Vianney e professor de teologia na Universidade Católica do Salvador, a obrigatoriedade de ser católico que foi imposta pela igreja e pelo poder político durante o período colonial marcou o início dessa forma de expressão religiosa: “Os negros passaram a buscar uma forma de burlar as autoridades cultuando os santos católicos, buscando elementos em comum em relação aos orixás. A partir daí, essa manifestação passou a se fortalecer”, explica padre Edson.

Segundo o livro “Os Orixás”, publicado pela Editora Três, Omolu e Obaluaê são variações do orixá Xapanã (nome proibido no Candomblé e na Umbanda), sendo Omolu sua forma jovem e Obaluaê o Orixá representado na velhice. A relação com São Lázaro e São Roque se estabelece, porque no Candomblé a figura de Omolu-Obaluaê tem uma relação de poder sobre as doenças, principalmente as epidêmicas. Faz parte da essência desse Orixá tanto causar quanto possibilitar a cura de uma enfermidade.

Foi exatamente a imposição religiosa existente no Brasil Colônia, que fez com que os negros passassem a relacionar São Lázaro e São Roque à Omolu-Obaluaê. Com a construção da capela de São Lázaro na Federação no início do século XVIII, antes mesmo da igreja do Bonfim, muitos escravos, doentes ou não, iniciaram o sincretismo que permanece como uma lembrança de quando o Candomblé era apenas uma seita.

Antoniel Ataíde Bispo, diretor-secretário da Federação Nacional do Culto Afro-Brasileiro (FENACAB) há 25 anos, ressalta que o grande divisor de águas para que o candomblé se desvinculasse da Igreja foi a criação da própria Federação, em 24 de novembro de 1946. “Nós com muita honra pertencemos hoje a uma religião Afro-Brasileira”, ressalta Antoniel, que também é babalorixá do terreiro Omi Natosse, localizado no bairro de Cidade Nova em Salvador.


Pipoca

Outro forte ponto de devoção do santuário de São Lázaro está relacionado às baianas que ficam na parte externa da igreja dando o conhecido banho de pipoca nas pessoas que participam das missas realizadas nas segundas-feiras. A yalorixá Janete, que há 14 anos se desloca do seu terreiro Oyá Massi, localizado no município de Lauro de Freitas, diz que vem a Federação, assim como todas as outras integrantes do candomblé para dar banho de pipoca em cumprimento e agradecimento a uma promessa por uma graça alcançada pela ajuda de São Lázaro (Omolu) e São Roque (Obaluaê)

O babalorixá Alberto, do terreiro Ilê Axé Iyá Omi Nidê localizado na Federação, considera o banho de pipoca como uma “fonte de energia”. Muitas pessoas tomam o banho antes ou depois das celebrações religiosas, como o tarólogo Ulisses Guimarães, 31 anos, que defende o banho como um “ato religioso em que a flor de Obaluaê, a pipoca, faz a limpeza do corpo”. Ulisses também possui uma relação com o Candomblé e participa das missas nos dias de São Lázaro. “Tudo tem que ser feito de livre e espontânea vontade”, destacou a mãe-de-santo Janete que ainda brincou dizendo que o banho de pipoca é dado “do mendigo ao doutor, até mesmo em cachorro”. Dona Walmirete, que também dá banhos de pipoca em frente ao santuário de São Lázaro, conta que vai a Federação todas as segundas-feiras para cumprir uma promessa referente à cura de uma doença na sua perna esquerda.

O superintendente de coordenação estadual da FENACAB, o babalorixá Roberto, alega que a pipoca não deve ser usada como ocorre na Federação. “Só se deve jogar a pipoca quando existe o ato a Obaluaê”, explica Babá Roberto. Ele ainda diz que ainda há pouco esclarecimento por parte de algumas integrantes do Candomblé fazendo com que esses elementos que envolvem a religiosidade, como o banho de pipoca e o próprio sincretismo venham a acontecer.


Devoção

Dentre as centenas de católicos que visitam a igreja de São Lázaro no dia do padroeiro (Segunda-feira), algumas em especial visitam a Capela dos Milagres situada dentro do santuário para deixar os “Ex-Votos”. Segundo uma publicação do padre Marcos Piatek no site da Paróquia Ressurreição do Senhor esses objetos “exteriorizam o favor recebido de Deus pela graça de São Lázaro”. Os devotos deixam fotografias, muletas, cartas, mas principalmente partes do corpo feitas em parafina que obtiveram cura como: corações, braços, pernas, fígados, etc.

Quatro missas são realizadas no dia de São Lázaro. Entretanto, em toda primeira segunda-feira do mês, há a celebração da missa Afro. Nessas celebrações estão presentes elementos da cultura Afro-Baiana, como cantos tocados com pandeiros, maracás e atabaques, além da oferenda de elementos como o fogo, a água, frutas, dentre outros. O padre Marcos diz que: “O evangelho tem que chegar à cultura de cada povo”, destacando assim a importância que esse tipo de missa exerce na identificação do povo negro baiano com a Igreja.
(junho de 2005)

Nos poços


Primeiro você cai num poço. Mas não é ruim cair num poço assim de repente? No começo é. Mas você logo começa a curtir as pedras do poço. O limo do poço. A umidade do poço. A água do poço. A terra do poço. O cheiro do poço. O poço do poço. Mas não é ruim a gente ir entrando nos poços dos poços sem fim? A gente não sente medo? A gente sente um pouco de medo mas não dói. A gente não morre? A gente morre um pouco em cada poço. E não dói? Morrer não dói. Morrer é entrar noutra. E depois: no fundo do poço do poço do poço do poço você vai descobrir quê.


Caio Fernando de Abreu

Eu, não vou reclamar da vida


Eu não vou reclamar da vida
se sinto tristeza, dor, perdas.
Choro.

Eu não vou reclamar das voltas,
do tempo perdido, dos desencontros.
Aceito.

Eu não vou desesperar-me,
negativar-me, destruir-me, perder-me.
Reajo.

Eu não sei o que virá pela frente,
que trilhas irei desbravar,
o tempo em que ampulheta vira.
Torço.

Eu choro, aceito, reajo e torço.



Paulo B. Mendes

Chequen mi FunPix

En la floresta de los Ancestros, custodios de la sociedad




por Juan Batalla, artista plástico.

El igbalé es el bosque de los ancestros dentro del universo del candomblé bahiano, práctica que involucra mis fuerzas desde hace ya bastante tiempo.
Dentro de un tejido atravesado en parte por muchos silencios, acaso el que circunda al igbalé sea el más abisal de ellos. Así que la propuesta hecha a Dany Barreto y a mí de asistir a la celebración de Egungún resultó una deferencia muy grande de parte de Pai Balbino (Daniel de Paula, ojé) máxime teniendo en cuenta que él mismo no asistiría. Pero dispuso todo para que fuésemos seguros y una tarde cruzamos en ferry hacia la isla de Itaparica guiados por dos de sus hijos de santo. La práctica de Egungún está afincada tradicionalmente en esta isla, según sabemos, desde mediados del siglo 19, cuando fue introducida desde África. Es reciente y polémica su expansión por candomblés de Salvador, Río, Recife y otras partes de Brasil.

Itaparica es, claro, sitio contrastado. Club Med, franja turística y discotequizada; y tras la espesura de un mato cerrado, Ponta d'Areia. Para llegar hubo que sospechar un sendero y atender al coral que surge del matorral y saluda al paso. Cuentan que Mae Senhora,(Òsun Múyiwà, Bibiana do Espírito Santo) mujer legendaria del candomblé, llegaba a veces desde Salvador para asistir a la fiesta de los egun. Y que dada la importancia de la visita, el camino por el mato lo realizaba suspendida en un trono que portaban los habitantes de Ponta d'Areia.

Candomblé, y candomblé de egun, son situaciones que precisan de un inmenso apego al orden jerárquico. Por eso fuimos presentados a quienes correspondía durante la tarde que precedió a la fiesta. Los comentarios fragmentarios sólo aumentaban el volumen de interrogaciones que pendían sobre la fiesta y el comportamiento que era esperado que observásemos. Como analogía con la mayoría de las fiestas de candomblé, pensé que sería bueno portar un presente de alcohol. Había una mujer que a esas alturas hablaba a mi oído como una real radio, junto a su hija muda que emitía sonidos ininteligibles. Más tarde Babá Egún se comunicaría con voces no menos extrañas. Le pregunté a ella acerca de cuál sería la elección más adecuada de bebida. Me aseguró que debía comprar cognac en un único almacén tras el morro. Al volver con la botella nuestros guías desaprobaron con sorna la idea: "Babá Egun vai ficar chato com esse presente". Era mejor llegar con las manos vacías que con bebidas alcohólicas que pudiesen sugerir un comportamiento excesivo por parte de los ancestros. Volví al almacén y cambié el cognac seguramente incendiario por unas cervezas que bebimos con la cena que nuestros amigos habían preparado en una casa. Éramos invitados honoríficos y no era posible salir de ese rol. Esto significaba porciones algo mayores de los magros peixes vermelhos y un rato de descanso en dos diminutas camas antes de bajar al terreiro. El camino ya lo habíamos andado a la tarde. Abundaba en árboles en los que los pobladores de Ponta d'Areia aseguraban que habitaban encantados. Las crianças pequeñas ya desaparecían en los interiores de las casas pintadas de celeste o rosa. Se fueron escalonando las esperas. Preparativos interminables y recorridos desde unas casas hasta otras. Siempre las presentaciones, los pedidos de bençoes. Se había dictaminado que debíamos llegar al terreiro con la comitiva que dirigían el jefe de otro terreiro y una mae hija de Iansá (tradicional Presidenta de Honra de la Sociedad Egúngún) Afuera de las casas se abroquelaban mesas y sillas, y tras las ventanas acumulaciones de botellas de cerveza y de "pinga".

Sobre la fiesta de egun, nuestro amigo Robert Farris Thompson escribió lo siguiente: "Como un vislumbre de fantasmas en paños brillantes, los enmascarados Egungún inmortalizan a los muertos importantes. El vestido se vuelve ser abstracto. El traje de Egungún transforma al enmascarado en un espíritu ululante y sin rostro. Inviste de una vitalidad animal que transforma piel, voz, acento. Ninguna teoría explica su complejidad." (1)

Pierre Fatumbi Verger describió a su vez el acontecimiento: "Considérase que las almas de los muertos vuelven a la Tierra, en ciertas familias, bajo la forma de Egungún. Aparecen bajo bellos paños, decorados con retazos bordados y adornados con buzios y lentejuelas. Sociedades estrictamente reservadas a hombres cuidan de esos Egungún, invocándolos durante las ceremonias en las que los muertos de la familia deben ser honrados. Los Egungún, saliendo del igbalé, vienen a saludar a sus descendientes con voz ronca y profunda, garantizándoles su protección y prodigándoles bendiciones. Danzan de buen grado al son de los tambores batá y ogbon. Se piensa que el contacto de las telas de los Egungún es fatal para los seres vivos y por eso los mariwó y los ojé, miembros iniciados de la sociedad, los acompañan siempre, empuñando largas varas (isan) para alejar a los imprudentes. En contraposición se considera benéfico al viento provocado por los paños cuando Egungún danza girando". (2)

La ceremonia de Egungún tiene la banda de sonido más impresionante. Percusión demoledora y voces que disparan hacia otros pliegues de la realidad. Pero antes de la llegada de los ancestros hay baile para los Orixás. Al terminar llega el servicio para Babá Egún: un chivo, gallinas, flores, agua, frutas, acarajé, dulces. Tras la limpieza y los llamados insistentes, aparecen las primeras formas. Son espíritus no evolucionados. Están cubiertos por telas con dibujos desagradables. Se los aleja con violencia. A poco comienzan a llegar los deseados ancestros. Comienzan su danza y el lugar, en el que habría unas 150 personas y en el cual éramos los únicos invitados, queda cerrado. sólo se podrá salir acompañados por los iniciados con las varas capaces de mantener a raya a los no evolucionados. "Allí no hay persona humana bailando". "Sólo el viento". Eran ideas que hubieran bastado para abastecer de pesadillas toda mi infancia de haberlo oído entonces. Llegan espíritus de gente que ellos conocen. La abuela Rosa, el tío Netinho. Hablan con voces de ultratumba en yorubá arcaico. El calor máximo, la compresión, y el entendimiento termina por trasladarse a otros centros de captación del organismo. De ello, de la chorrera de nociones, sólo puede hablar, en caso de que lo haga, mi obra plástica.

El momento adecuado para emerger fue claro. La cerveza, necesaria para entrar a la fiesta paralela de la gente afuera. Con el amanecer, tiempo para más minutos de aquellas camas minúsculas. Pero el calor imperativo y el cuarto mal ventilado espinaron el posible descanso. Salí e intenté secar el pecho sudado exponiéndolo al fresco azulado. Aún la tormenta de tambores llegaba desde el terreiro. Alguien me forzó a volver al interior. Decía que en la noche de Egungún el viento trae cosas peligrosas, que era estúpido exponerse a esas cosas de muertos.

A poco las crianças volvían a jugar y el sol trepaba tras el vértigo de los enormes árboles. Se oían salvas que cerraban la ceremonia hasta la noche. Tres noches tendrían los ancestros para visitar la aldea.

Éste es el sustrato de Igbalé. Su vertiente épica. Mi trabajo funciona acoplando un discurrir visual y conceptual a tal esfera de aconteceres. No obstante, creo que existe un riesgo enorme en la manipulación de estéticas y acontecimientos de esta índole por parte de artistas entrenados. Suelo aborrecer los resultados de semejantes cruces y apropiaciones. Sé que para indagar en esta veta hay que realizar una operación del espíritu y estar muy consciente. Implica comprometerse con campos intensos de lo real. En cierto modo, el gesto artístico debe contener un componente sacrificial. Hay una clave en el sacrificio, justamente cuando la contemporaneidad en cierto modo le ha asignado un rol de fósil producido por los sistemas de adoración antiguos. Pero por ejemplo, cuando un gallo limpia un cuerpo y asume sus males con altivez, allí hay una acción sustitutoria que es afín a la que realiza el arte. Hay ahí secuencias de hechos que me llevan a percibirme hilado, una cuenta del collar atravesado por impulsos que me unen de un lado, a algo que es superior y virtualmente incomprensible; y, del otro, a criaturas que con solicitud extrema estructuran un ciclo que me liga a eso que me excede. Es una lógica, cierta lógica que podríamos pensar resulta de la percepción de continuidades y desplazamientos de los destinos. Y en la que acepto gozoso el hecho de ser comido puntualmente por divinidades que me mastican y reciben el sacrificio que ofrezco.

Y aún en el corazón de este mundo devorador la cadena de engranajes incluye la posibilidad del libre albedrío que otorga lo representacional. Un gallo representa a algo que no es el gallo, es moneda de pago a la divinidad. Y dentro de la lógica dentro de la cual seré a la vez deglutido, pienso en crear obras que cumplan este rol de intermediarias entre lo que destruye y lo que forma. Obras gallo. Que alimentan a lo que se alimenta de mi.

El desarrollo de Igbalé requirió realizar varias operaciones. La primera fue ingresar la obra a un despojamiento de ángulos que podían interponerse a una flotación. El círculo en sus distintas variantes resultó adecuado. Esto significó cierto viraje en la obra que venía haciendo por entonces, que mayormente estaba dedicada a explorar tensiones entre rectas. En cuanto a la materia, el caucho de cubiertas usadas de bicicletas y de autos que ya había estado utilizando desde un tiempo antes encontró en esta obra el sentido más completo que podían darme. El tránsito sutil que era tan vital expresar tenía así un correlato en sordina desde la significación más llana que la palabra puede alcanzar. El caucho sirvió para tener escarificación, contrapunto, ritmo. Fue necesario que hubiera obras que se incorporasen desde el suelo, otras que flotasen, abarcar aproximaciones a una heráldica y a lo arbóreo. También a un vestuario intangible. Para las esculturas me gustó utilizar una base de hierro que me recuerda a las que se usaban para exhibir el arte "primitivo" en los tiempos que éste inspiró a los maestros del siglo pasado, casi como una broma dirigida a mí mismo.

El montaje en la galería de Loreto Arenas fue planeado junto a Gustavo Vásquez Ocampo, que fue sumamente receptivo para mis ideas. Sólo una franja roja de pared debía cortar una alternancia de negros y blancos. Al pie de un tondo trazamos un círculo de sal a modo de espejo. Sobre él imprimí la textura del círculo.
A la entrada de la sala un cuadro de bicicleta oxidado que recogí en una calle de Catamarca trazaba un paralelo con las firmas de los espíritus en los rituales afroamericanos. Antes había presidido el taller en el que la obra fue realizada. Aún hoy lo hace.



(1) "Face of the Gods", Robert Farris Thompson. The Museum for African Art /
Prestel, 1993.

(2) "Saída de iao", Pierre Verger. Axis Mundi Editora / Fundaçao Pierre Verger, 2002.

¿Esperamos algo diferente?

EE.UU. rechaza proyecto de ley sobre medio ambiente

Washington - El senado estadounidense rechazó hoy el primer gran proyecto de ley que buscaba luchar contra el calentamiento global.

Los senadores a favor del texto obtuvieron 48 votos contra 36 al cierre del debate, por debajo de los 60 votos necesarios para que este proyecto de ley pudiera ser sometido a una votación final, lo que produce de facto su bloqueo.

Este proyecto propuesto por el republicano John Warner de Virginia y los demócratas Barbara Boxer de California y Joseph Lieberman de Connecticut, proponía una reducción restrictiva de las emisiones de gases de efecto invernadero mediante la creación de un mercado de derechos de polución semejante al modelo adoptado por Europa para aplicar el protocolo de Kyoto.

Los republicanos argumentaron que este proyecto sería muy costoso para la economía estadounidense y que la Casa Blanca amenazaba con vetarlo si era aprobado en el Congreso.

AFP

Sin duda sale más barata la guerra, ya que disminuye la población y el entorno, y de ese modo lo afectado por el calentamiento global... Necesitan más desastres naturales para tomar conciencia. Dios ¿salvará a (Norte)América?

Del poeta Manuel Bandeira:

Río Òsun - Nigeria


Ser como o rio que flui
silencioso no meio da noite.
Não temer as trevas da noite.
Se há estrelas no céu, refleti-las,
E se os céus se enchem de nuvens
como o rio,
as nuvens são água;
refleti-las também, sem mágoa,
nas profundidades tranqüilas.