RITUAL DE INICIAÇÃO



O borí é uma cerimônia de grande significado litúrgico. É a adoração da cabeça, realizada pelo conjunto de oferendas, cânticos e louvações. É importante a participação do Olorisa em cerimônia de borí, já que se estabelece a comunhão com a cabeça do "outro" e troca de àse. Quanto mais pessoas houver para a louvação de nossa cabeça, para comer a comida do borí, tanto melhor. A união faz a força e os alimentos divididos no ritual são fortalecidos por Onilé juntamente às forças do Orí do favorecido pela obrigação.

Comer destas comidas é àse, renovação de nossas forças. Mas é necessário que o filho se coloque à disposição do terreiro, participando como possa e seja necessário no referido etutu. A arrumação do borí, a exemplo do preparo dos alimentos, arrumação de camas, despachos, etc., cabe ao omorisa. A celebração é feita pela Iyálorisa ou Babalorisá, auxiliada pela Iyakékeré e outros Olóyè qualificados.

Durante a cerimônia do borí não se ajoelha. Fica-se em pé, em atitude de respeito e seriedade. O filho deve responder às cantigas específicas, o que é de grande importância. O borí da Iyálorisa ou Babalorisá é diferenciado pela pompa e deferência. Ainda assim o filho deverá permanecer em pé com a cabeça inclinada,
levemente abaixada, demonstrando respeito à mãe ou o pai da comunidade. Quanto mais sua cabeça revigorar as forças, melhor para todos, já que ele (Babalorisá ou Iyálorisa) é quem distribui o àse ... Em toda e qualquer cerimônia de borí os filhos têm de estar vestidos "nos trinques". Roupas muito brancas, de morim. Para os
homens as costumeiras, conforme já vimos, sendo indispensável o uso do pano-da-costa. Se a cerimônia destinar-se à Iyálorisa ou Babalorisá, os filhos deste não devem, naquela noite, deitar-se em cama, mas sim em esteiras. Afinal, sua mãe ou seu pai estarão deitados em uma esteira e os filhos não poderão estar "mais alto que seu pai ou sua mãe".

Os sempre insatisfeitos vivem dizendo: "Em meu tempo era diferente..." Os iyáwó de hoje metem vergonha... Ai de mim se meu pai de santo espirrasse e eu não lhe tomasse a bença". Esses personagens se esquecem de que estão vivos, seu tempo é o presente. Por isto eu digo: Meu tempo é agora! Por que estas mais velhas, tão repressoras, não passam o conhecimento que têm? Por que não ensinar os procedimentos aos àbúrô? A menos que estejam admitindo por seu discurso que, em seu tempo de iyáwó, as então egbón mi eram pessoas de boa vontade ou detentoras de um maior conhecimento da religião dos Orisa. Vivemos o tempo presente, nosso tempo é hoje, já, agora! Só pode falar "em meu tempo" alguém que já não mais faça parte deste tempo, depois de ter atravessado a porteira do tempo... Quem vive é deste tempo, de agora! E quem critica é porque conhece. Deixemos o egoísmo de lado e tratemos de transmitir conhecimento como maneira de conservar o culto aos òrìsà"por todos os tempos".