Masacre en la Baixada Fluminense


Após um ano do tratado, recomeçou a preagem de índios para o trabalho escravo. Os portugueses violavam a paz sem protesto dos Jesuítas; o sonho não pôde ser realizado.

“Usando os mais requintados processos de crueldade, os portugueses conseguiram aterrorizar os próprios índios, já habituados a toda espécie de luta. Somente em pensar nos castigos inenarráveis que se infligiam aos prisioneiros, muitos índios se submetiam ao jugo, vencidos pelo terror”.

Em São Vicente, as aldeias eram atacadas e desapareciam na voragem das chamas. Cadáveres nas selvas e nas praias atestavam o barbarismo do colonizador.

Reunindo o grande conselho, os Tamoios resolveram responder à altura aos ataques dos “PEROS”. Estava declarada a guerra.

Chegando de Lisboa com uma frota de galeões armados e municiados, Estácio de Sá entra na Baía de Guanabara com cerca de 1.500 soldados e índios Temiminós, que Araribóia trouxe do Espírito Santo. Ele conhecia a capacidade de Aimberê, o chefe das tribos que formavam os Tamoios. Por isso, levaram um ano se preparando para o ataque final, durante o qual peças de bronze eram transportadas para a terra em busca de pontos estratégicos.Houve o primeiro encontro com a superioridade em armas dos portugueses. Aimberê, com 1500 guerreiros e 160 canoas, não conseguiu resistir às bocas de fogo que faziam saltar com um tiro vários barcos de uma só vez, obrigando-os a recuarem.Desembarcando em algumas praias, os portugueses passaram a incendiar aldeias, aprisionando famílias e destruindo embarcações. Entretanto, Aimberê resistia.

Informado por Anchieta, Mem de Sá vem para o Rio de Janeiro trazendo reforços, que aqui chegaram em 18 de janeiro de 1567, compostos de três galeões vindos de Lisboa comandados por Cristóvão de Barros, dois navios de guerra e seis caravelões.Aimberê, sentindo a gravidade da situação, reúne o conselho e pede aos franceses que partam para salvar suas vidas, principalmente seu genro Ernesto. Este, em nome dos patrícios, recusa-se e dize que ficarão ao lado dos companheiros, lutando até morrer como Tamoios. Era o dia 20 de janeiro. Centenas de portugueses e Términos, comandados por Araribóia foram ao encontro dos bravos Tamoios. Milhares de flechas cruzavam o céu, ao rimbombar dos canhões e tiros de escopeta. Os combates corpo a corpo deixaram as águas da Guanabara tingidas de sangue. Na praia, jaziam corpos de índios e portugueses que as ondas teimavam em sepultar.

O Padre José de Anchieta na sua “DE GESTIS A MEM DE SÁ”, conta esta batalha desigual, cantando glórias à covardia do opressor:

“As hordas selvagens contratacam de cima do monte, levantam o grito de guerra que reboa na altura e vibram fremindo os arcos: furor guerreiro os sacode e logo despejam do alto uma chuva de flechas, cobrindo os cumes verdejantes como uma nuvem”.

Assim, quando o vento sul flagela, às vezes, os campos, o granizo despoja dos seus belos cachos as vides e denso saltita sobre os tetos tragicamente soando. Há um frémito de horror nas matas. Os inimigos resistem com denodo aos assaltantes rolando pedras enormes, mas aos esquadrões de Cristo nem flechas nem pedras conseguem parar; o soldado, em fileiras cerradas, se arroja teimoso, vence as escarpas, despede certeiro dardos de arremesso. Chegam às mãos: foge o selvagem. Persegue-o, alcança-o, mete-lhe a espada, vara-lhe o peito. A uns a lança de ponta aguda atravessa a ilharga, abrindo à luz do sol, as profundas cavernas da vida e levando à morte aos membros pela larga ferida.

Outros tombam, fendida a fronte a golpes de espada, a outros trespassa o coração a seta ligeira.

E se extasia diante de tanta destruição, enaltecendo o “gesto heróico” do invasor ao referir-se ao assassinato de famílias inteiras ao calor do fogo, em que 160 aldeias foram queimadas à margem da Guanabara, deixando registrado para a posteridade, que a missão “EVANGELIZADORA” da Igreja era a espada:

“Pelo solo, escorre negro sangue, as matas se encharcam da muita sangueira. Aqui e ali, corpos nus e sem vida jazem nos caminhos e fundos recessos dos bosques”.

Quem poderá contar os gestos heróicos do chefe à frente dos soldados na imensa mata? CENTO E SESSENTA FORAM AS ALDEIAS INCENDIADAS, mil casas arruinadas pela chama devoradora, assolados os campos, com suas riquezas, PASSADAS TUDO AO FIO DA ESPADA! Choraram a perda dos pais os filhos queridos, carpiram as mães inconsoláveis a perda dos filhos, a esposa, agora viúva, chora a morte do esposo. Morreram muitos à míngua perdidos na selva, e, fato horroroso! Com as próprias mãos, pais desumanos mataram os filhos, que pelos bosques os seguiam chorando, para que o choro deles não atraísse o inimigo. O terror se estendeu, e estendeu-se o luto profundo: tudo eram lágrimas, prantos e espectros de morte; já há quinze dias, a estrela da manhã, ressurgindo do fundo oceano à frente do carro do sol resplendente, contemplava NOSSO EXÉRCITO A PERCORRER DENSAS MATAS, INCENDIAR CASAS, TALAR CAMPOS, MATAR INIMIGOS.

Após 48 horas de combate, estava arrasado o último reduto dos Tamoios. Seus chefes estavam mortos. Aimberê, Igaraçu, Pindobuçu e seu filho Parabuçu, o francês Ernesto e sua mulher Guaraciaba tiveram suas cabeças cortadas e espetadas em estacas, porque “Daquela raça maldita de Tamoios nada haveria de subsistir nas terras conquistadas pelos portugueses”. O principal comandante do massacre, Estácio de Sá, foi ferido naquele dia 20 de janeiro, por uma flecha, e morreria um mês depois. Seus ossos foram exumados e se encontram hoje na Igreja de São Sebastião (dos Capuchinhos), no Rio de Janeiro. Quanto aos ossos de Aimberê, diz Aylton Quintiliano, quem os descobriria nos corpos degolados, massacrados, mutilados e esquartejados, por colonizadores “cristãos” da estirpe dos Mem de Sá, Estácio, Anchieta, Pedro Leitão e traidores como Araribóia?

“Os ossos de Aimberê ficaram sepultados no coração e na memória de todos os verdadeiros patriotas que amam esta terra maravilhosa, a Terra Brasilis”.